Domingo, 4 de dezembro de 2016 às 11:58 em Novidades
História do teclado: veja como este periférico tão importante foi pensado

Máquina de escrever e o legado do QWERTY                                                              

 Fonte: glono.com

Mesmo quem nunca precisou digitar em uma máquina de escrever sabe que a posição das teclas é idêntica a do teclado do PC. O design, denominado QWERTY por causa das seis primeiras letras da fileira de cima, foi herdado por um motivo óbvio: por volta da década de 40, quando surgiram os primeiros computadores, as máquinas de escrever já eram populares há muito tempo. Transportar o layout de um aparelho para o outro foi um passo natural para facilitar a adaptação ao novo dispositivo.

Mas, não é tão óbvio assim o motivo pelo qual as máquinas de escrever têm esse design. O idealizador do modelo QWERTY, Christopher Latham Sholes, implementou essa formatação em uma máquina fabricada em 1868. A razão? Diminuir a velocidade da digitação. Sim, é isso mesmo. Na época, os tipos – aquela peça de metal com os caracteres na ponta – travavam quando as pessoas datilografavam rápido. Trocar a posição das teclas, tirando-as da ordem alfabética, foi um jeito de conseguir esse feito.

Máquina de escrever com teclado QWERTY (Foto: Divulgação/Royal)Máquina de escrever com teclado QWERTY (Foto: Divulgação/Royal)

Pode reparar: na segunda fileira do seu teclado há uma boa sequência de letras em ordem alfabética – ou quase. Os caracteres D, F, G, H, J, K e L ficam um do lado do outro. Nessa série só não estão presentes as letras E e I, colocadas para cima justamente porque são muito usadas na língua inglesa. Pela mesma razão, outra letra muito frequente, A, foi deslocada para o canto esquerdo, tendo que ser pressionada pelo dedo mindinho.

O problema de travamento nunca se aplicou aos computadores, é claro, mas não teve jeito. A tradição fez com que o teclado QWERTY se transformasse no padrão de uso global até os dias atuais, repletos de teclados virtuais em smartphones e tablets.

Entrada de dados por teclas

A máquina de escrever não é o único ancestral do teclado. O periférico também foi influenciado pelo teletipo – também conhecido como teleimpressor -, e pelo perfurador de cartão. A herança aqui diz respeito não apenas à forma, mas também à finalidade, já que ambos desempenharam papel importante na entrada e comunicação de dados eletromecânicos.

Uma espécie de teletipo rudimentar já era usado em 1870 na bolsa de valores dos Estados Unidos para impressão de texto transmitido via cabo. O aparelho, que trazia um teclado igual ao das máquinas de datilografia, foi usado durante quase todo o século XX para envio e recebimento de mensagens mecanografadas, fosse ponto a ponto ou ponto a multipontos. Nas versões mais modernas, um monitor substituía a impressora.

Teletipo da Siemens (Foto: Reprodução/Wikimedia Commons)Teletipo da Siemens (Foto: Reprodução/Wikimedia Commons)

 O perfurador de cartão, por  sua vez, era dispositivo  que criava os cartões    perfurados, principal  método de entrada, saída  e armazenamento de  dados dos computadores  antigos. Um dos primeiros  perfuradores foi  desenvolvido em 1890, por  Herman Hollerith, um dos  fundadores do que viria  mais tarde a se  transformar na IBM. Já por  volta de 1930 os  perfuradores incorporaram  teclas de texto e número  semelhantes às máquinas  de escrever.

 

Teclado em computadores

Ainda na década de 40 os computadores incorporaram o teclado como periférico de entrada. Desenvolvido em 1946 e considerado um dos primeiros computadores do mundo, o Eniac ainda contava somente com leitor de cartão perfurado, mas ele foi usado apenas pelo Laboratório de Pesquisas Balísticas do Exército dos Estados Unidos. 

O primeiro computador eletrônico vendido na história, o Binac, surgia já em 1949 com uma máquina de escrever controlada eletro-mecanicamente. O dispositivo conseguia realizar entrada de dados diretamente na fita magnética, assim como imprimir os resultados processados pela CPU.

Em 1965, o MIT, a Bell Laboratories e a General Electric criaram o Multics, um sistema multiusuário e de tempo compartilhado. O sistema operacional incentivou o desenvolvimento de uma nova interface de usuário, o terminal de exibição de vídeo, que combinou a tecnologia usada nas TVs de tubo da época com as máquinas de escrever elétricas. Como nunca antes, os usuários passaram a conseguir ver os caracteres que estavam digitando.

DataPoint 3300, um dos primeiros terminais com suporte a vídeo (Foto: Divulgação/CTC)DataPoint 3300, um dos primeiros terminais com suporte a vídeo (Foto: Divulgação/CTC)

O teclado ficou como praticamente único periférico de entrada até a chegada do mouse nos PCs, na década de 1980. A tela do usuário, até então preenchida quase que exclusivamente com texto, passou a dividir espaço com ícones e gráficos comparativamente ricos. Ainda assim, o teclado permaneceu central na interação humana com o computador.

O teclado hoje

A grande variedade de dispositivos atualmente faz com que existam diversos tipos de teclado. Os mais comuns nos PCs e notebooks ainda são os de membrana, que podem ser encontrados por preços a partir de R$ 20. Eles se caracterizam por ter uma peça única de silicone no interior (a membrana), através da qual o acionamento é feito ao pressionar uma tecla.

Uma variação mais sofisticada dos modelos convencionais é o teclado mecânico. Por fora o design é o mesmo, mas internamente há uma diferença crucial: cada tecla possui um conjunto de interruptor e mola individuais, fazendo com que o tempo de resposta seja bem mais curto. O usuário também tende a se cansar menos com essa versão, pois o mecanismo requer pouca força nos dedos.

Razer Ornata Chroma, teclado mecânico para gamers (Foto: Divulgação/Razer)Razer Ornata Chroma, teclado mecânico para gamers (Foto: Divulgação/Razer)
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